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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Criação do Mundo Segundo a Tradição Bantu


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Segundo a história tradicional contada pelos mais idosos e categorizados Nganga (sacerdotes) de tribo bantu (Angola), que todos os povos negros descenderiam dos Bungu e estes diretamente do Nzambi (Deus Supremo da mitologia bantu).
Eis a história tal qual foi contada, da criação do Mundo e a ascendência divina destes povos. Nzambi, a quem também chamam Ndala Karitanga (Deus criador de si próprio), Nzambi ia Kalunga (Deus Supremo e Infinito) e Nzambi Ampungu (Deus Poderoso), depois de ter criado o Mundo e tudo quanto nele existe , criou uma mulher para que fosse sua esposa e para que, por seu intermédio, pudesse ter descendência humana, a fim de que esta povoasse a Terra e dominasse todos os animais selvagens, por ele criado.
Disse a sua esposa que passaria a chamar-se Ná Kalunga, em virtude da filha que iria dar a luz, se chamar Kalunga.
Com efeito, tal como Nzambi tinha anunciado, passados nove meses, nasceu sua filha.
Esta foi crescendo como qualquer criança normal, junto de seus divinos pais, na Sanzala dia Nzambi (aldeia de Deus).
Logo que sua filha atingiu a puberdade, Nzambi, informou Ná Kalunga, sua esposa, que tencionava mostrar para Kalunga, sua filha, tudo que havia criado e que após três meses retornaria.
Esta resolução não agradou à divina esposa que tentou opor-se a que sua filha o acompanhasse. Porém Nzambi lembrou-lhe que ela tinha sido por ele criada para lhe obedecer, visto que, além de seu marido, era também seu Deus.
Contrariada, mas impotente para obrigar Nzambi a desistir do seu intento, limitou-se a deixar ir à filha com o pai, enquanto ela ficou a chorar amargamente.
Logo que anoiteceu, Nzambi, instantaneamente, construiu uma Kuabata (palhoça), na qual instalou uma só cama. Ao ver único leito, a filha recusou-se a dormir com o pai e saiu, a chorar da cabana.
Ao ver a recusa da filha e não podendo convencê-la de outra forma, disse-lhe que se não viesse imediatamente para junto dele, seria devorada pelas feras que infestavam a floresta.
Transitada de medo pelo que acabava de ouvir, Kalunga entrou novamente na cabana, deitou-se junto de seu pai e com ele dormiu não só naquela noite, mas durante todo o tempo que durou a viagem.
Finda esta, regressaram a casa e, Ná Kalunga, tal como tinha previsto, verificou que a filha estava grávida do próprio pai. Enraivecida pelo fato e pelo desgosto, no meio das maiores blasfêmias, enforcou-se numa árvore, perante os olhos atônitos da filha e de Nzambi, que nada fez para evitar tal suicídio.
Desgostoso pela atitude da mulher, que não compreendeu os seus desígnios para povoar o Mundo que ele tinha criado, mostrando ser indigna de continuar a ser esposa daquele que lhe tinha dado o ser, em vez de lhe dar vida, novamente, a amaldiçoou e transformou-a num espírito maligno, a quem deu o nome de Mulungi Mujimo (ventre ruim da primeira mãe que existiu na Terra).
A partir dessa altura, Nzambi passou então a viver maritalmente com sua filha Kalunga, a qual depois da morte da mãe, passou a chamar-se também Ndala Karitanga e a ser a segunda divindade.
Algum tempo depois da morte de sua mãe, durante um sonho, teve uma visão que deixou apavorada.
Viu a mãe com a cabeça apoiada nas mãos, a olhá-la com rancor e a insultá-la, dizendo que ainda ia devorá-la, enquanto ela envergonhada, pedia perdão a mãe e dizia que de nada era culpada, posto que, seu pai a tal a tinha obrigado. No meio desta aflição, acordou e contou ao pai o pesadelo.
Este a sossegou, dizendo-lhe que nada receasse daquela que tinha sido sua mãe e que agora era espírito mal, pois nenhum mal lhe poderia fazer, mas apenas lhe pedir comida. Portanto, disse Nzambi, vamos dar-lhe.
Levantaram-se ambos e Nzambi preparou um pequeno montículo de terra, junto da porta casa simulando uma sepultura.
Disse ele então a filha, que fosse buscar carne e outra comida e a pusesse sobre aquela sepultura, proferindo, ao mesmo tempo, as seguintes palavras: Mam'é nzanga ua-ku-kurila.Halapuila kanda uiza kuri yami nawa: ny ngu-na-ku mono nawa, ngu n'eza ny ku ku cheha (minha mãe acabo de vir chorar-te; agora, não voltes a ter comigo outra vez, porque se volto a ver-te, venho matar-te). Nzambi(aldeia de Deus).
Chegado que foi o tempo, Kalunga deu à luz um filho ao qual Nzambi deu também, o nome de Ndala Karitanga, passando este a ser a terceira divindade.
Logo que o seu filho-neto cresceu e atingiu a adolescência, Nzambi ordenou-lhe que casasse com sua mãe Kalunga, para que esta concebesse dele muitos filhos de ambos os sexos, a fim de povoarem a Terra e dominarem todos os animais.
Cumprindo as ordens de Nzambi, sua filha e seu filho-neto casaram e tiveram um filho e uma filha. Quando estes chegaram à maioridade, Nzambi ordenou, então, que o primeiro casasse com sua mãe e a filha casasse com seu pai, dizendo que já não se justificava a primeira união que ele tinha ordenado, informando-os, ainda que depois daquelas uniões, as seguintes se fizessem sós entre primos.
Por fim, depois de lhes ter ensinado tudo o que deveriam fazer, para a que sua descendência crescesse e multiplicasse, para que lutasse contra as doenças e os feitiços que um dos descendentes do sexo feminino, viria a possuir, porque ele lhes legaria.
Disse, também, que viriam outros descendentes divinos e que após deixarem a vida terrena, cada um dentro de sua atribuição, iria supervisionar o mundo que ele havia criado.
Nzambi despediu-se de todos, chamando depois, o seu cão, que sempre o acompanhava, dirigiu-se para à Sanzala Kasembe diá Nzambi (Aldeia Encantada de Deus), e dali subiu para o espaço, levando consigo o cão.
Naquela altura as rochas estavam moles, por terem sido formadas a pouco tempo. Ainda hoje se podem observar as pegadas esculpidas, numa rocha ali existente, especialmente do pé direito de Nzambi, assim como da pata dianteira do seu cão, estas pegadas existem também em diversas outras rochas espalhadas por toda a África, incluindo Angola.(vide pré – história da Lunda do autor).
Foi, pois, dali, que o Nzambi subiu à TCHEUNDA TCHA NZAMBI (aldeia de deus), ou céu como nós lhe chamamos, onde se conserva, através dos séculos, para recompensar os bons e castigar os maus.
A pergunta feita a diferentes sacerdotes bantu, como é e quem foi que criou Nzambi, eles responderam que, sendo ele Ndala Karitanga, se deve ter criado a si mesmo e que tudo o mais é mistério que jamais alguém conseguiu ou conseguirá desvendar.
A resumida lenda que acabamos de expor, foi contada por dois velhos naturais da região do Sombo, conselho de Camissombo. Um chamava-se Tchinjamba Sá Fuca e o outro Sá Hongo, ambos já falecidos. O primeiro morreu no Luaco, o segundo faleceu na sua terra natal com cerca de 90 anos em 1994.
Comprovação feita pela Seção de Arqueologia e pré-história do Museu do Dundo-Angola, de que são originais e não forjadas por mãos humanas. Segundo as indicações dos nativos, a Sanzala Kasembe diá Nzambi, situa-se entre os rios Luembe e Kasai, junto da nascente do Mbanze. Dão-lhe estes nomes, por estar perto do Meue (estrangulamento) do Kasai.
Neste ponto, o rio tem apenas cerca de quatro metros de largura. Segundo a tradição oral, foi junto à nascente do Mbanze que se estabeleceram, primeiramente, os chefes e autoridades divinas, Ndumba ua Tembu, Muambumba, Muaxisenge e outros, quando fugiram à soberania do Muatianvua.
Foi naquele mesmo ponto que mais tarde, reuniram-se novamente, e ali planearam a separação e distribuição de terras que cada um deveria ocupar.
* Lenda é a narração escrita ou oral de caráter maravilhoso, na qual os fatos históricos são deformados pela imaginação popular ou pela imaginação poética *.
* Nzambi s.m. – Deus Criador. Autor da existência e de suas características dominantes – o bem e mal.
Conquanto seja o Ente supremo, não rege diretamente os destinos do Universo. No tocante ao nosso planeta, serve-se de intermediários a entidade espiritual. Em face das atribuições de que se revestem, assumem o caráter de semideuses. Por efeito desse privilégio, é a elas, pois, a quem os crentes se dirigem em suas emergências. Decorrentemente, a quem prestam culto.
Enquanto as entidades espirituais permanecem nas profundezas do globo. Nzambi paira em toda parte, sem lugar determinado. Pelo alheamento a que votou os problemas mundanos, só são invocados em última instância. Tal como noutros povos, também existem sinônimos para designá-lo, Kalunga, Lumbi lua Suku, etc.
Kalungangombe, o juiz dos mortos, tem o poder de suprimir a existência. Mas, se Nzambi não concordar com a decisão, o mortal continuará subsistindo. Portanto, intervém quando necessário.
* Extraído do Livro: Crenças, Adivinhação e Medicina Tradicionais dos TCHOKWE da Lunda que se encontra no Norte de Angola , África.

Fonte: Ilabantu

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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Realeza Africana: 8 belas princesas negras




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A mídia gosta de relatar acontecimentos da realeza europeia, passando a impressão que todas as princesas e príncipes são brancos e europeus, não mostrando a diversidade de reis e rainhas, príncipes e princesas em outras etnias no mundo, como a existência de uma Realeza Africana, assim como negros  e negras nas casas reais europeias, mas eles não estão em destaque na mídia.

8 belas princesas negras e suas histórias: 

1 - Princesa Akosua Busia da Família Real de Wenchi, Gana 

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Princesa Akosua desbravou caminhos na indústria cinematográfica estrelando em filmes como Native Son , The Color Purple , Rosewood e Tears of the Sun.
Ela foi uma das três coautoras para a adaptação cinematográfica do romance de Toni Morrison: Amada, também escreveu uma música com Stevie Wonder. O famoso cineasta John Singleton é seu ex-marido.

2. Princesa Elizabeth Bagaaya de Toro


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Advogada, diplomata, política e atriz são todas as realizações que a princesa Elizabeth tem sob seu cinto. Ela estudou na Universidade de Cambridge. E foi  ministra das Relações Exteriores de Uganda. Toro é um dos quatro reinos tradicionais localizados dentro das fronteiras de  Uganda 

  1. Princesa  Dlamini Sikhanyiso da Suazilândia 
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Princesa Sikhanyiso é vista como uma rebelde em sua pátria nativa a Suazilândia. Seu pai é o rei da Suazilândia. Embora ele governe  o país com mão de ferro, não impediu Dlamini de falar contra suas políticas. Ela disse à imprensa, "a poligamia traz todas as vantagens de uma relação com os homens, e isso para mim é injusto e mal".
Ela foi espancada e ameaçada por suas declarações públicas que vão na contramão, com apenas 23 anos. Corajosa e guerreira, tudo o que ela acaba fazendo, o aspecto mais saliente do seu perfil será sempre a de uma princesa.  

4. Princesa Angela de Liechtenstein 

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Vindos de Panamá, a  Princesa Angela e seu filho, o príncipe Alfons são os mais altos membros negros classificados de qualquer dinastia reinante na Europa. Ela é uma fashionista de coração, depois de ter estudado na Parsons School of Design, criando seu próprio selo e tendo trabalhado em Adrienne Vittadini como diretora de moda. A Princesa Angela também desenhou seu próprio vestido de noiva e talvez ela possa voltar ao design de moda no futuro. Princesa no Principado de Liechtenstein. 

5. Princesa Sarah Culberson da Serra Leoa 

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Sarah Culberson vivia com a sua família adotiva em West Virginia, mas ao olhar para seus pais biológicos, ela descobriu que era na verdade uma princesa e foi convidada  por seu pai, um membro da família real da tribo Mende na província do sul de Serra Leoa, para conhecer sua família na África.  
Depois de uma viagem emocional, durante a qual ela se reencontrou com seu pai e outros parentes, ela percebeu que ser uma princesa neste país devastado pela guerra civil não era glamourosa. A maioria das pessoas vivia em condições de pobreza, por isso ela criou a Fundação Kposowa para ajudar a reconstruir a escola Bumpe, que foi destruída na guerra civil do país. 

6 - Princesa Ruth Komuntale do Tooro

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Ela nasceu uma princesa, seu nome completo é Ruth Nsemere Komuntale.  APrincesa Komuntale foi educada em Aga Khan Escola Primária em Kampala e na Escola Internacional de Trípoli, na Líbia. A Princesa Ruth Komuntale casou  com um americano  Christopher Thomas. Toro é um dos quatro reinos tradicionais localizados dentro das fronteiras de  Uganda. 

7 – Princesa Keisha omilana
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Princesa Keisha omilana, esposa do príncipe Kunle omilana da Nigéria,  ela nasceu na Califórnia.  Keisha é modelo  e o Príncipe nigeriano Kunle omilana sempre queria conquista-la. Ela inicialmente recusou, mas depois aceitou a oferta. "Esta é a melhor decisão que você já fez", disse ele.  Juntos, eles são marido e mulher, pais, parceiros de negócios e proprietários de Wonderful-TV, uma rede cristã atingindo mais de 100 milhões de lares em toda a Europa. 

8 - Princesa Esther Kamatari de Burundi
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Princesa Esther Kamatari, é uma escritora e modelo. Esther Kamatari cresceu no Burundi como um membro da família real. Após a independência, em 1962, o rei foi deposto em um golpe militar e a monarquia abolida em 1966.
Kamatari fugiu do país em 1970, após o assassinato de seu pai e se estabeleceu em Paris, onde se tornou uma modelo. Ela é casada com um médico francês e eles têm dois filhos juntos, ela tem um filho de um relacionamento anterior.  


Fonte: Afrokut

Fonte: http://www.geledes.org.br/

Uma nova geração reclama a continuação do sonho de Martin Luther King


Uma nova geração de líderes e activistas negros regressou este sábado ao lugar onde, há 50 anos, Martin Luther King pronunciou o seu discurso I have a dream, para recordar que a sua missão continua inacabada, que o movimento pelos direitos civis têm hoje novos objectivos e que é preciso continuar a trabalhar pela igualdade.

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“A nossa geração não pode permanecer sentada, disfrutando dos méritos e das glórias passadas”, disse perante dezenas de milhares de pessoas concentradas no monumento a Lincoln, na grande explanada do centro de Washington, Cory Booker, presidente da cámara de Newark (New Jersey), candidato democrata ao Senado e um dos mais brilhantes e renovadores dirigentes negros na actualidade.
A seguir imagens que nos levam do distante ano de 1963 até aos dias de hoje, passados cinquenta anos sobre o famoso discurso do herói negro norte-americano
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Agosto de 1963. Martin Luther King dirige-se aos manifestantes durante o seu discurso "Tenho um sonho" no monumento a Lincoln em Washington/(AP)

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Agosto de 1963 - Vista panorámica do palanque situado em frente ao monumento a Lincoln durante o discurso de Martin Luther King/(Gamma- / Keystone / Getty Images)

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Agosto de 1963 . Martin Luther King, no centro, caminha pela avenida da Constituição com a multidão que empunhava cartazes com os seus protestos/(AP)

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Agosto de 1963. Edith Lee Payne, uma jovem de Detroit, participa na marcha pela Liberdade e o Trabalho celebrada em Washington. Nesse dia, ela completava 12 anos/Rowland Scherman (GETTY)

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Agosto de 1963. Joan Baez e Bob Dylan actuam durante a marcha dos direitos civis de agosto de 1963 em Washington/Rowland Scherman (GETTY)

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Agosto de 2013. Milhares de pessoas concentram-se junto ao palanque situado em frente ao monumento a Lincoln em Washington/Jon Elswick (AP)

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Agosto de 2013. Estudantes da Universidade de Howard caminham desde o seu campus até ao monumento a Lincoln para comemorar o 50º aniversário do discurso de Martin Luther King, líder do movimento pelos direitos civis/James Lawler Duggan (REUTERS)
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Agosto de 2013. Dançarinas do Impact Repertory Theater actuam durante a homenagem à marcha pela Paz e o Trabalho de agosto de 1963 encabeçada por Martin Luther King/JAMES LAWLER DUGGAN (REUTERS)

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Martin Luther King III, juntamente com a sua mulher Andrea e sua filha Yolanda este sábado em Washington. O filho de Luther King pediu que se continue a luta que, há 50 anos, foi iniciada pela geração do seu pai/Carolyn Kaster (AP)



Fonte: Rádio Monçambique
Fonte: http://www.geledes.org.br


Negro é lindo! por Maria Rita Casagrande


Por Maria Rita Casagrande
Há umas duas semanas recebi da escola de meu filho um documento de atualização cadastral. Qual não foi minha surpresa: para a escola, ele mora na mesma residência que ambos os pais (que não residem juntos desde que a criança tem 1 ano) e ele é BRANCO. A primeira reação é a de imaginar que alguém cometeu um erro. Talvez fosse mais fácil replicar um endereço apenas, ao invés da tediosa tarefa que é preencher um endereço para a mãe e outro para o pai. Mas como explicar para mim e para a criança que a cor dele não foi notada?
Ele me entregou a ficha já fazendo a observação – Tá errado, eu não sou branco!
O negro, ao longo da história, foi tão apontado como feio, inferior, burro, que isto ainda traz consequências nocivas para nós negros e permite que "erros" como este sejam cometidos na intensão de ser agradável. Na ficha consta BRANCO porque evitaria que nós , a família (mãe negra, pai branco), nos ofendêssemos com o NEGRO estampado no papel, o preconceito interiorizado de quem enxerga desvantagens em ser negro, que faz as associações como cabelo ruim e o asqueroso "black service" e o "afinal quem quer ser negro?".

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Já se passaram muitos anos desde o "Black is Beautiful" , movimento cultural iniciado por negros nos Estados Unidos na década de 60, que mais tarde se espalhou entre negros do mundo todo. O movimento tinha como meta eliminar a noção de que as características naturais dos negros, como cor da pele, traços faciais e cabelo são inerentemente feios. O movimento também incentivou homens e mulheres a pararem de tentar eliminar traços identificados como africanos, como não endireitar o cabelo ou tentar clarear sua pele.
O esforço do movimento era para contrariar a ideia típica prevalecente na cultura americana (não apenas na americana, compartilhamos desta mesma ideia aqui no Brasil) de que negros são menos atraentes ou desejáveis do que os brancos, tendo em vista que uma ideia negativa a respeito da negritude é altamente prejudicial para a psiquê dos afrodescendentes.
Como não estamos mais nos revolucionários anos 60 e o mundo atual é multicultural, uma pluralidade de heranças, classes sociais, credos e cores e nossos filhos estudam em salas coloridas como um arco íris de pessoas e convivem com crianças de lugares diferentes do globo terrestre, não há a menor necessidade de enfatizar o orgulho negro ainda mais, certo? ERRADO!
Apesar de terem oportunidades diferentes de seus antepassados, as crianças afrodescendentes ainda possuem dificuldade de estar orgulhosos de sua herança racial. Como tão bem explicitado na repetição do teste das bonecas da década de 40, no qual os psicólogos negros Kenneth e Mamie Clark mostram uma boneca branca e uma negra para que crianças relacionem aspectos positivos e negativos a elas. A boneca branca acaba por ser a escolhida pelas crianças pelas características positivas enquanto a negra era preterida. O mesmo teste foi feito em 2006 e o resultado foi semelhante.
Diante de situações como estas ou de pedidos como "eu quero uma franja", "eu quero ser branco", "porque não sou igual a minha coleguinha" ou "porque me chamam de preto se é cor de lápis", mesmo a mais preparada das mães ou pais paralisa. Paralisamos porque passamos por situações semelhantes, paralisamos porque doeu em nós e pode doer neles.
De acordo com uma pesquisa publicada no Journal of Child Development, estimular o interesse de uma criança negra a aprender sobre sua raça faz mais do que lhes dar impulso pessoal, também auxilia academicamente esta criança. O estudo foi conduzido por Ming-Te Wang e James P. Huguley da Universidade de Pittsburg e da Universidade de Harvard, respectivamente, e constatou que "a socialização racial", ensinar as crianças sobre a sua cultura e envolvê-los em atividades que promovam o orgulho racial e conexão ajuda a compensar a discriminação racial e os preconceitos que as crianças enfrentam pelo mundo exterior.
O ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira, a luta dos negros no Brasil, A cultura Negra Brasileira e O Negro na formação da sociedade nacional é obrigatório por lei desde 2003 em todas as escola do país. Mas seria isto o bastante para ensinarmos aos nossos filhos o quanto eles são lindos? Será isto que fará com que nosso filho ame a cor da sua pele? Este ensino não é aplicado para crianças na primeira infância (de 0 a 6 anos) , período decisivo na formação da personalidade, do caráter e do modo de agir do adolescente e do adulto.
Precisamos criar o hábito de elogiar nossos filhos. Edificar uma criança é como vestir-lhe uma armadura, tão forte que elemento nenhum da sociedade poderá feri-lo diante de suas certezas de que Negro é Lindo. Quantos de nós, adultos negros, sentimos a dificuldade de aceitar e acreditar em um elogio sincero. Não conseguimos nos acostumar com o "você é lind@", "você é muito inteligente". Isso não nos foi repetido com o furor necessário para que ficasse claro que podemos ser, sim, lind@s, inteligentes,poderos@s.



“Você é gentil. Você é inteligente. Você é importante” – The Help
Alguns métodos que eu adotei dentro de casa e acredito serem válidos:
Conte histórias: conte você mesmo a história dos negros pelo mundo, as coisas incríveis que nossos antepassados já fizeram, nossas lutas, conquistas , dificuldades e vitórias.
Brinquedos: hoje já conseguimos encontrar bonecas negras com maior facilidade (não com a mesma oferta e em todos os locais). É importante discutir a singularidade e a beleza de cada uma destas bonecas. Servirá de alicerce para a construção da autoestima desta menina ou menino (sim, ensine também que homens podem cuidar de um outro ser humano).
Ligue os pontos: situe seu filh@ com relação aos laços culturais que nos ligam ao nosso lar ancestral – a África. Seja o penteado trançado, a comida que vai pra nossa mesa, no ritmo da música que a gente escuta. Pontue que esta é nossa herança, nosso legado.
Incentive a aprendizagem multicultural: existem negros no mundo inteiro. A história dos negros americanos é diferente da dos negros caribenhos. Ensine a história dos povos indígenas, asiáticos, europeus. Crianças são curiosas e o conhecimento não só aumenta a autoestima como ensina o respeito.
E este último é um exercício para você que me lê. Corre no espelho e repete agora para não esquecer nunca mais: Você é gentil. Você é inteligente. Você é importante. A autoestima dos pais reflete diretamente na da criança. Tenha orgulho e acredite que você é capaz de ensinar e seu filh@ capaz de aprender!

Fonte: Blogueiras Negras

Fonte: http://www.geledes.org.br

Depois do pobre que vira classe média sem sair da pobreza, o Brasil Maravilha inventou o ex-miserável que continua paupérrimo. Vai acabar inventando o mendigo magnata



Para o governo, os mendigos de São Paulo estão acima da classe média  


Às vésperas da celebração dos 10 anos da Descoberta dos Cofres Federais, a presidente da República animou a quermesse do PT com outra notícia assombrosa: falta muito pouco para a completa erradicação da miséria em território nacional. “Mais 2,5 milhões de brasileiras e brasileiros estão deixando a extrema pobreza”, informou Dilma Rousseff em 17 de fevereiro.
Eram os últimos indigentes cadastrados pelo governo federal. Graças aos trocados distribuídos pelo programa Brasil Carinhoso, todos passaram a ganhar R$ 71 por mês. E só é miserável quem ganha menos de R$ 70. Passou disso, é pobre. Nesta segunda-feira, depois de cumprimentar-se pela façanha, Dilma reiterou que o miserável-brasileiro só não é uma espécie extinta porque cerca de 500 mil famílias em situação de pobreza extrema estão fora do chamado Cadastro Único de Programas Sociais.
Como nem sabe quem são, quantos são e onde moram esses miseráveis recalcitrantes, o governo ainda não pôde transferi-los para a divisão superior. “O Estado não deve esperar que essas pessoas em situação de pobreza extrema batam à nossa porta para que nós os encontremos”, repetiu no Café com a Presidenta. Até dezembro de 2014, prometeu, o governo encontrará um por um.
Queiram ou não, estejam onde estiverem ─ num cafundó da Amazônia ou no mais remoto grotão do Centro-Oeste ─, todos serão obrigados a subir na vida. Enquanto isso, perguntam os que não perderam o juízo, que tal resolver a situação dos incontáveis pedintes visíveis a olho nu, o dia inteiro, nas esquinas mais movimentadas de todo o país?
O que espera a supergerente de araque para estender os braços do governo às mãos de crianças que vendem balas, jovens com malabares, adultos que limpam parabrisas sem pedir licença, mulheres que sobraçam bebês, velhos hemiplégicos e outros passageiros do último vagão? Porque não são miseráveis, informam os especialistas em ilusionismo estatístico a serviço dos farsantes no poder.
Desde maio de 2012, por decisão do Planalto, vigora a pirâmide social redesenhada pelo ministro Wellington Moreira Franco, chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos. Segundo esse monumento ao cinismo, a faixa dos miseráveis abrange quem ganha individualmente entre zero e R$ 70 reais. A pobreza vai de R$ 71 a R$ 250. A classe média começa em R$ 251 e a acaba em R$ 850.
Os que embolsam mais de R$ 851 são ricos, e é nessa categoria que se enquadram milhares de seres andrajosos que se plantam de manhã à noite nos principais cruzamentos. Em São Paulo, esmolando oito horas por dia, cada um ganha de R$ 35 a R$ 40. Quase todos rondam os R$ 1.200 por mês. São, portanto, pedintes de classe média. Caso melhorem a produtividade, logo serão mendigos milionários.
Os analfabetos são quase 13 milhões, há mais de 30 milhões de analfabetos funcionais, a rede de ensino público está em frangalhos. Metade da população não tem acesso a serviços básicos de saneamento, o sistema de saúde pública é indecente. As três refeições diárias prometidas por Lula em fevereiro de 2003 nunca desceram do palanque, um oceano de desvalidos tenta sobreviver com dois reais e alguns centavos por dia.
De costas para o mundo real, os vigaristas no comando seguem fazendo de conta que o Primeiríssimo Mundo é aqui. O pior é que uma imensidão de vítimas do embuste parece acreditar na existência do Brasil Maravilha registrado em cartório. E vota nos gigolôs da miséria com a expressão satisfeita de quem vive numa Noruega com muito sol e Carnaval.
Essa parceria entre a esperteza e a ignorância faz milagres. Depois de inventar o pobre que sobe para a classe média sem sair da pobreza, inventou agora o ex-miserável que não tem onde cair morto. Vai acabar inventando o mendigo magnata.


Publicado  na revista VEJA em 26/02/2013 \1 Direto ao Ponto

Fonte: http://informativokmm.blogspot.com.br/

terça-feira, 6 de agosto de 2013

O que publico no meu blog, sempre é para reflexão, e refletir é pensar, pensar é também comparar, se comparou é porque questionou, concordou, descordou, ou seja, todos somos seres capazes sim e por isso não se deve passar pela vida sem sentir o outro, ignorar o outro, por isso nunca é tarde para abrir os olhos e ver o certo e o errado, aguçar sua audição e ouvir o certo e o errado, abrir a boca e falar sobre o certo e o errado. Por isso leia abaixo...






                               Proletários do giz

Quando mestre de literatura no colegial, nos anos 1960 e 70, Alfredo Bosi oferecia Camões aos alunos. E recebia em troca Gigantes Adamastores empoleirados nas cadeiras, recitando estrofes completas do poeta português. Era sua voz contra a "pedagogia da preguiça", que dava o mínimo do mínimo à juventude, quando ela estava pronta para o máximo.
Professor há quatro décadas na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, ele continua num traçado pessoal pela qualidade do ensino. Daí sua preocupação com o resultado do último Índice de Desenvolvimento Humano das cidades brasileiras, que aponta a educação como a bigorna a puxar o índice para baixo.
Não é questão de distribuir kits e comprar mais computadores. Nem de sair às ruas pedindo Mais Professores, nos moldes do Mais Médicos. Para ele, falta valorizar econômica, social e culturalmente a profissão que seus alunos da faculdade não querem mais seguir. "O punctum dolens ainda é o desestímulo sofrido pelo professor pelo excesso de trabalho, quase sempre em mais de uma escola, e pela angustiante falta de tempo para preparar as aulas e acompanhar de perto o aproveitamento dos alunos." Sem retorno, eles preferem trabalhar em empresas, laboratórios ou em pesquisa avançada. Não aceitam ser proletários do giz e da lousa. Ou do pincel atômico e do power point, que seja.
Este elegante imortal de 76 anos também refletiu sobre a avaliação dos alunos, "que passou de um extremo a outro, ambos lastimáveis", e sobre o repasse dos royalties do petróleo, "que precisa ser administrado à altura das nobres intenções que o motivaram". Refletir, aliás, é algo que cultiva em toda a sua carreira de crítico literário, historiador, ensaísta e ponto de resistência durante a ditadura, quando reunia padres, sindicalistas e intelectuais em sua casa em Cotia, onde mora. Em setembro ele voltará a matutar em conjunto no Colégio do Brasil, no Rio de Janeiro. Ali começam as reuniões do Círculo do Pensamento, bolado por 20 intelectuais - Bosi entre eles - para lutar contra a "dieta reflexiva de astronauta dos nossos tempos", como afirma o escritor Eduardo Portella. Dieta rala, modesta, queAlfredo Bosi certamente vai encorpar: "Ele é um homem de literatura que se distingue pela capacidade de pensar", finaliza o também professor Portella.
A entrevista foi publicada no jornal O Estado de S. Paulo, 04-08-2013.
Eis a entrevista.
O IDH avançou 47,8% no Brasil. No entanto, a educação ainda é apontada como um entrave, pois se mantém num degrau médio. Como soltar esse freio de mão?
Como professor secundário e universitário que fui durante quatro décadas, pude observar de perto tanto os pontos altos como as carências dessa área capital para o desenvolvimento e qualidade de vida de nosso povo. Os pontos altos encontram-se, em geral, no ensino superior e, mais particularmente, nos cursos de pós-graduação. Quem acompanha a produção em várias áreas de pesquisa dita "de ponta", e o trabalho intenso desenvolvido por agências como Fapesp, CNPq, Finep, não pode deixar de alimentar esperanças em termos de nível intelectual, que, em alguns casos, iguala o de centros universitários de reputação internacional. No entanto, quando voltamos o olhar ao ensino primário e secundário, temos um panorama inquietante em que as exceções, embora honrosas, são ainda poucas.
Ao mesmo tempo, a educação foi o indicador que mais teve avanço desde 1991.
Os índices apontam para um avanço significativo ocorrido nestes primeiros anos do século 21, fato em si mesmo alvissareiro. Houve, de fato, um progresso quantitativo, pois, salvo em alguns bolsões de extrema pobreza, pode-se dizer que quase toda a população em idade escolar está nas salas de aula. Mas também fica evidente que há muito por fazer em termos de qualidade para chegarmos a um patamar suficiente, se comparamos nossa situação com a de outras nações, não só com as desenvolvidas, mas com algumas de economia modesta, como Uruguai, Cuba, Chile e Costa Rica. O crescimento econômico medido em termos de PIB não é garantia de uma política enérgica de educação, para a qual o valor prioritário deve ser a formação intelectual e ética do cidadão.
Em que estamos patinando?
Há muito tempo venho me preocupando com o diagnóstico dos males de nossa educação fundamental. Em artigos que escrevi para a Folha de S. Paulo (O Ponto Cego do Ensino Público) e para o Jornal do Brasil (Educação: as Pessoas e as Coisas), relatei os resultados de uma pesquisa que fiz registrando os salários dos professores dos cursos básicos em todo o País. Até os anos 1990, a maioria absoluta dos nossos mestres-escola não ganhava sequer um salário mínimo mensal. Eram proletários do giz e da lousa, que precisavam dar um número altíssimo de aulas para receberem um salário que significava então metade e às vezes um terço do que recebiam os docentes universitários em início de carreira. Era uma desproporção injusta e lesiva para o professor, para os alunos e para toda a sociedade brasileira. A pesquisa tocava no ponto cego do nosso ensino público: a desvalorização econômica, social e cultural do professor como o fator mais significativo do baixo rendimento do sistema educacional.
O que mudou de lá para cá?
A política dos poderes estaduais e municipais, que são os responsáveis pelo ensino básico, continuou subestimando a questão da valorização efetiva, e não só retórica, do professorado. Atribuiu-se equivocadamente o insucesso escolar a problemas de saúde do aluno pobre ou à "carência cultural" de suas famílias. Ou, então, especialistas em pedagogia davam excessiva importância ao uso deste ou daquele método de alfabetização, deste ou daquele sistema de ensino de matérias fundamentais como a matemática, a história, as ciências. Eram fatores relativamente importantes, mas desviavam a atenção para o que é essencial. O punctum dolens era e ainda é o desestímulo sofrido pelo professor pelo excesso de trabalho, quase sempre em mais de uma escola, e pela angustiante falta de tempo para preparar suas aulas e acompanhar de perto o aproveitamento dos alunos. A distribuição de kits, livros, computadores e material escolar não deve substituir uma política corajosa de elevação salarial e valorização social do professor. As coisas por si sós não movem o processo educacional: o centro vivo são as pessoas, sua vontade cidadã de contribuir para o desenvolvimento intelectual e moral do jovem aluno.
No molde do ‘Mais Médicos’, a população deveria ir às ruas pedir ‘Mais Professores’?
Não sei se é o caso de reclamar por "mais professores", embora me pareça razoável, salvo melhor juízo, que em alguns municípios carentes se reclame por mais médicos. O fato é que em escolas de periferia de São Paulo (não conheço a situação de outros Estados) muitas classes ficam sem docentes de matérias fundamentais como português e matemática, porque os professores contratados faltam às aulas com uma frequência inquietante. Pergunto se não é o caso de pesquisar as causas desse comportamento que, de minha parte, se deveria atribuir ao desânimo de profissionais que ganham mal e não recebem do Estado o respeito e o estímulo de que necessitam para enfrentar as dificuldades cotidianas de seu trabalho. Como professor de uma das melhores faculdades de letras e humanidades do País, verifico que grande parte dos alunos graduados em matérias humanísticas e literárias não escolhe o magistério primário e secundário como carreira prioritária, embora tenha recebido formação específica para exercê-la. Há situações semelhantes entre alunos formados em matemática, física, química, biologia. Preferem trabalhar em empresas, laboratórios ou pesquisa avançada e dão as costas para a missão de transmitir seus conhecimentos em condições que estão aquém de suas expectativas profissionais. Trata-se de um sintoma de desistência do magistério, que precisamos interpretar corretamente para passar do diagnóstico à terapia.
Qual é o seu diagnóstico sobre o aprendizado do aluno?
Do ponto de vista estritamente pedagógico, a avaliação do aluno passou de um extremo a outro, ambos lastimáveis. Com a boa intenção de minorar o mal da repetência, endêmico até os anos 1990, algumas Secretarias de Educação optaram por um sistema de tolerância máxima pelo qual se evita sistematicamente reprovar todo e qualquer aluno, aprovando-o "para inglês ver", isto é, para parecer que o ensino foi bem-sucedido e fazer esse êxito numérico constar das estatísticas escolares. A situação assemelha-se à triste farsa dos que fingem que ensinam e dos que fingem que aprendem. Já é consenso lamentar que boa parte dos alunos que chegam ao último ano do ensino fundamental ainda tenha problemas graves de alfabetização, leitura, escrita, raciocínio matemático, etc. Parece-me que o bom senso exige uma revisão de alguns procedimentos automáticos e irresponsáveis desse processo que está desmoralizando o ensino básico brasileiro. O maior gargalo parece ser o da passagem do ensino fundamental para o médio. Mas não devemos desanimar, pois a qualidade da educação pública já foi excelente até os anos 1950, antes da explosão da sociedade de massas. Se não podemos voltar atrás, pois as condições objetivas são tão diferentes, devemos pelo menos apostar em estratégias que se ajustem às necessidades atuais, trabalhando nas duas pontas: valorizando o professor e oferecendo ao aluno o que ele merece, sem deixar de exigir o que ele pode dar.
Por que a inclusão social brasileira dos últimos 20 anos não atingiu a população nesse particular? Ainda vigora entre nós uma cultura escolar elitista?
Quando se fala em "cultura escolar elitista", pensa-se na questão candente da exclusão escolar e cultural. O remédio proposto ultimamente é o das cotas concedidas a alunos de famílias de baixa renda, provenientes de escolas públicas, e de preferência não brancos, negros e índios. A matéria é controversa e não sei se poderia tratá-la nesta entrevista, na medida em que me faltam dados confiáveis para avaliar o que está acontecendo e sobretudo o que vai acontecer a partir da concessão obrigatória das cotas. É sempre problemático querer resolver um mal pelo seu efeito final, no caso, a dificuldade de um aluno (prejudicado pelas condições acima descritas) superar a barreira de um vestibular público. O que me parece absolutamente necessário é dar a todos os alunos do ensino médio condições intelectuais para concorrerem em qualquer tipo de vestibular. Em outras palavras, enfrentar corajosamente a situação desfavorável do aluno da escola média pública quando confrontada com a das escolas particulares escolhidas pela alta classe média. A revolução educacional tem de começar de baixo para cima. O que é, sem dúvida, mais difícil e mais demorado do que remediar, pelo alto, uma situação desequilibrada que vem de longe. Em educação, democracia significa dar igualdade de oportunidades de conhecimento a todos os cidadãos sem distinção de idade, cor, gênero, nacionalidade ou renda familiar.
Como resposta às manifestações, a presidente Dilma apontou o uso dos royalties do petróleo na educação como um dos cinco pactos firmados com prefeitos e governadores. Esse montante, porém, só estará disponível em 2020. E questiona-se a forma como será aplicado. A educação já faz parte da agenda estratégica dos governos? Quero dizer, falta-lhes apenas mais dinheiro?
Espero que o grande aporte ao sistema educacional, proposto pela presidente Dilma, relativo aos royalties do pré-sal, seja administrado à altura das nobres intenções que o motivaram. E que, na hora decisiva da distribuição das verbas federais, as redes sociais e o Ministério Público fiquem atentos aos desvios que tantas vezes os executivos municipais operam, à socapa, canalizando o dinheiro concedido à educação para a prática do nepotismo e a construção de obras eleitoreiras. Finalmente, que seja equacionado com justeza o problema da valorização econômica do professor primário e secundário.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013



I COPENE SUL

I Congresso de Pesquisadores Negros, região sul, em Pelotas/RS, 24 a 26/07/2013. Meu companheiro de estrada e aprendizado, meu Pai Aluizio.


Ocorreu no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense (IFSul), foi um marco, pois em resumo, tomamos o compromisso de fazer acontecer reflexões e ações tanto nas Universidades/Faculdades quanto nas Escolas, com relação as ações afirmativas e prática da Lei 10639/2003.

É para isso que irei me formar como Assistente Social, é para uma sociedade melhor que quero trabalhar e deixar para meus filhos.





Meu Pai, minhas Professoras e Coordenadoras do Neabi/Unisinos, Elizabeth e Adevanir, e eu.




Meu Pai e eu!
No Barro Duro, em Pelotas/RS, local de lendas e onde viveram negros, tratados como escravos, e que trabalhavam nas Charqueadas do Município.


Grandes Mestres e colegas de Congresso!


SEPPIR lança Guia de Políticas Públicas para as Comunidades Quilombolas

Lançamento ocorreu no último dia 25, durante a Plenária Nacional das Comunidades Quilombolas, realizada em Brasília (DF)

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Por: Ana Paula Santos
Em abril, um decreto assinado pela presidenta da República, Dilma Rousseff, convocou a III Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Conapir), que será realizada de 5 a 7 de novembro, em Brasília (DF), com o tema "Democracia e Desenvolvimento por um Brasil Afirmativo".
Neste período de mobilização rumo à III CONAPIR, representantes da sociedade civil, dos municípios e dos estados brasileiros estão em etapa preparatória para escolherem os delegados que vão ajudar a construir as políticas públicas para os afrodescendentes nos próximos anos.
No último dia 25, foi encerrado o ciclo de realização das plenárias nacionais, que englobaram povos ciganos, comunidades tradicionais de matrizes africanas e quilombolas. Na ocasião, o Brasil de Fato conversou com a ministra de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), Luiza Bairros, a Secretária de Políticas para Comunidades Tradicionais (SECOMT), Silvany Euclenio, e o diretor do Departamento de Proteção ao Patrimônio Afro-brasileiro (DPA) da Fundação Cultural Palmares (FCP), Alexandro Reis. Eles participaram da Plenária Nacional das Comunidades Quilombolas, em Brasília (DF).
A data escolhida para o encerramento das plenárias é significativa na agenda da comunidade negra, por ser o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha. A ministra Luiza Bairros aproveitou o momento para saudar a todas mulheres negras e lançou o Guia de Políticas Públicas para as Comunidades Quilombolas, projeto que trata do acesso à terra, infraestrutura e qualidade de vida, desenvolvimento local e direitos à cidadania. O guia é uma ferramenta importante para orientar as comunidades remanescentes de quilombo em todo o país. Além disso, contribui para o trabalho da SEPPIR, que tem feito um esforço para que o Programa Brasil Quilombola (PBQ), implantado pelo governo federal desde 2004, chegue até as comunidades, assim como todos os outros programas.
De acordo com a ministra, a efetivação destas políticas públicas dependem de ações conjuntas entre municípios e os ministérios. Nesse sentido, o guia fortalece a articulação com a Fundação Cultural Palmares ( FCP), o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), o Ministério da Saúde (MS), o Ministério da Educação (ME), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), entre outros. Além disso, ressalta a importância da participação das comunidades tradicionais neste processo. "Espero que na III CONAPIR o debate possibilite aos participantes identificarem os obstáculos que impedem a efetivação das políticas de igualdade racial", explicou a ministra.
Há, hoje, mais de 2.100 comunidades quilombolas certificadas pela FCP. A fundação realiza uma força tarefa para certificar mais comunidades. Além disso, busca instrumentalizar as comunidades quilombolas através do trabalho de assessoria jurídica em parceria com a Defensoria Pública, com o objetivo de auxiliar aquelas envolvidas em conflitos de terra, como é o caso do Quilombo Rio dos Macacos, na Bahia. "Estamos trabalhando em parceria com a SEPPIR no programa Brasil Quilombola e assinamos um convênio com a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) para fazer o mapeamento destas comunidades no estado e capacitá-las para trabalharem com economia criativa", afirmou Alexandro Reis.
A secretária de Políticas para Comunidades Tradicionais, Silvany Euclenio, disse que este é um momento de maturidade, pois nos 10 anos de implantação da SEPPIR o principal desafio dos afrodescendentes no Brasil tem sido dialogar com o Estado, monitorar as políticas públicas que garantam a cidadania de modo que respeitem as identidades e especifidades desta população.


Fonte: Brasil de Fato

Fonte: http://www.geledes.org.br/

 

Espírito Santo recebe projeto de incentivo a cultura afro nas escolas

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O ensino da história e da cultura afro-brasileira na rede pública e particular de ensino no Estado merece ser abordado com mais frequencia durante o ano. São constatações dos próprios educadores, que acreditam que o tema é ainda pouco debatido no ambiente escolar, apesar da Lei 10.639/2003 exigi a inclusão desses pontos na grade curricular. Para reverter esse quadro, foi lançado no Estado, na tarde desta segunda-feira (29), o projeto A Cor da Cultura, que busca a valorização social e cultural.
O Espírito Santo é o 14º estado a receber A Cor da Cultura, desde que foi criado em 2004. A coordenação do projeto espera capacitar cerca de 540 educadores capixabas, entre eles professores e técnicos que atuam nas escolas. Serão realizadas oficinas de formação voltadas para a demonstração da metodologia do Projeto, cursos e seminários.
"Tudo que faz a diversidade cultural avançar na questão do respeito e no resgate de valores vem a somar", acredita Maria de Fátima Cossetti Barboza, diretora de uma escola localizada na região de Terra Vermelha, em Vila Velha. Para a ela o ensino da cultura afro-brasileira deve ser ampliado.
De acordo com a coordenadora geral do Projeto, Ana Paula Brandão, o programa produz conteúdos audiovisuais e pedagógicos com a história da população negra para auxiliar na formação de profissionais de várias disciplinas.
"Esse projeto perpassa por todas as disciplinas. Na verdade, o conteúdo do étnico racial perpassa por todas as disciplinas e todas as series. Dentro do kit pedagógico temos material para atender a educação infantil quanto ensino médio e educação de jovens e adultos", explicou a coordenadora geral do Projeto, Ana Paula Brandão.
O lançamento aconteceu na tarde desta segunda (29). Mas, a programação se estenderá até agosto. De 30 de julho a 2 de agosto serão treinados os profissionais da Grande Vitória. E de 5 e 9 nos pólos de Cachoeiro de Itapemirim e Colatina. Nos encontros, os profissionais vão receber orientações sobre como usar o material dos kits pedagógicos em sala de aula e como multiplicar o conteúdo didático.
Ainda este mês, o projeto será lançado também no Maranhão, Goiás, Pará e Rio Grande do Sul.Já foram distribuídos 2.044 kits em sete estados. Até o momento, 1661 escolas públicas e centros de formação de professores foram contemplados.
por Dóris Fernandes

Fonte: EsHoje

Fonte: http://www.geledes.org.br


Carolina Bezerra ensina como arrasar com os cachos: 'Chega da ditadura do liso'

Dora de Saramandaia investe em cuidados com cremes e em acessórios para valorizar ainda mais o volume das madeixas

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No ar como a Dora, de Saramandaia, Carolina Bezerra exibe belos cachos na TV. “Chega da ditadura do liso. O negócio é deixar o cabelo livre e com muito volume. Adoro cabelo cheio, acho lindo”, defende a atriz. Como todo brasileiro que se preze, ela é descendente de negros, brancos e índios e afirma ter muito orgulho de sua herança genética. Dona de madeixas crespas, Carol faz escova progressiva na raiz e permanente para dar o efeito ondulado. Ela também usa cremes ativadores de cachos logo após o banho.
Mas não para por aí! A atriz investe em acessórios para arrasar ainda mais. “Quando minha mãe passou os cuidados do meu cabelo para mim, comecei a inventar”, diz. São presilhas, flores, lenços e até turbantes! Tudo para valorizar os cachos e o volume das madeixas da atriz. Confira as dicas de Carolina Bezerra.

 

Lenços
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 Ela adora incrementar os looks com lenços (Foto: TV Globo/ Saramandaia)

A atriz usa e abusa de muitos lenços para incrementar o visual. “Acho muito prático e mostra bem o rosto. Levantei, amarrei um lenço nos cabelos e me sinto pronta para enfrentar o dia”, conta Carol.
Na foto na esquerda, a Dora de Saramandaia dá um nó no meio do laço e depois amarra atrás. Já na imagem da direita, Ela faz um laço de lado, sem nó.

 

Flores
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Flores são bonitas e alegram o visual (Foto: TV Globo/ Saramandaia)

Carol também adora investir em acessórios como flores. Na foto da esquerda, ela ousou ao usar um broche que ganhou de presente como prendedor de cabelo. “Gosto de inventar”, explica. À direita, a atriz exibe uma presilha em forma de filete de flores, que ela mesma fabricou. “A dica é usar tecidos bem coloridos e estampados. A maquiagem tem que ser leve, combinando com o tom dos enfeites. Gosto de tudo muito colorido”, destaca. Carol diz também que usar maxibrincos deixa o visual ainda mais estiloso.

 

Turbantes com lenços
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 Tecidos podem virar turbantes (Foto: TV Globo/ Saramandaia)

De acordo com a atriz, é possível brincar de várias maneiras, transformando o lenço em turbantes. À esquerda, Carol dobra o pano, torce a parte de cima e prende atrás da orelha. Mas também há outras formas de criar turbantes com o tecido: é possível deixar um pouco de cabelo para fora ou colocá-lo todo para frente, amarrando o pano embaixo (como na imagem à direita), que não deixa nenhum fio à mostra. Para ela, brincos étnicos e estampados arrematam divinamente o look.
Gostou? Inspire-se nas dicas de Carolina e use a criatividade para arrasar com os cachos!

 Fonte: http://www.geledes.org.br

 

Cada vez aprendendo mais...


O país onde os negros tem cabelos naturalmente loiros

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 Ilhas de Salomão, país localizado no Oceano Pacífico, cerca de 10% da população nativa de pele negra, tem os cabelos naturalmente loiros. Alguns acreditam que a cor seria resultado de muita exposição ao sol, ou de uma dieta rica em peixe. Outra explicação seria a herança genética de ancestrais distantes (mercadores europeus que passam pelos arquipélagos). 
Todas as hipóteses foram descartadas quando os pesquisadores identificaram um gene responsável pela variação da cor do cabelo, denominada TYRP1, conhecido por influenciar a pigmentação nos humanos. Sua variante encontrada nos cabelos loiros dos habitantes das Ilhas de Salomão, não é encontrada no genoma dos europeus.
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 Fonte:http://www.geledes.org.br