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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

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Estudantes africanos criam Campanha para mostrar diversidade da África: "não somos um país"

Por: Redação
11/02/2014 






Um grupo de estudantes africanos que vive nos Estados Unidos lançou uma campanha em fotos em uma tentativa de dissipar equívocos e preconceitos sobre o continente em que nasceram.


Chamada de The Real Africa: Fight the Stereotype (A Verdadeira África: Combata o Estereótipo, em tradução livre), a campanha no Facebook busca destruir estereótipos e mostrar que o continente africano não é uma entidade homogênea, mas um território diversificado com mais de 50 países. As informações são da CNN.

A campanha mostra imagens dos membros da Associação de Estudantes Africanos de Ithaca College, em Nova York, segurando com orgulho bandeiras de diversos países africanos. Em cada fotografia, os alunos mostram uma mensagem simples para refutar os comentários ignorantes e ofensivos que costumam ouvir.

“O que nós queríamos fazer era abraçar as bandeiras individuais dos países da África”, afiimou Rita Bunatal, chefe de relações públicas da organização. “Nós queríamos mostrar a beleza e o poder da bandeira. Também queríamos quebrar um dos maiores equívocos sobre o continente, o de que a África é um país.”

A campanha traz mensagens como “eu não falo "africano’, por ‘africano’ não é uma língua” e “a África não é uma selva com animais selvagens”.

Campanha traz estudantes segurando bandeiras de países do continente africano. Cada uma das imagens mostra uma mensagem para refutar comentários ofensivos que os estudantes costumam ouvir. “Os africanos não são todos parecidos” é uma delas, A África não é uma selva cheia de animais selvagens”, diz outra imagem“Os líderes africanos não são todos ditadores, e democracia não é nova para África”, diz a mensagem, relembrando líderes como Nelson Mandela e Kwame Nkrumah “África não é definida pela pobreza”, diz a mensagem da estudante“África não é um país”, diz a mensagem. “A África é um continente formado por 56 países entre outras frases

Fonte: Portal Áfricas
Fonte: http://www.ceert.org.br





Exclusivo: bissexual, negra e socilista, Chirlane MCCray, primeira-dama de Nova York, abre o jogo

Por: Osmar Freitas Jr., de Nova York
11/02/2014



Nenhuma mulher é mais influente em Nova York do que Chirlane MCCray. Assessora e mulher do novo prefeito Bill de Blasio, ela foge do estereótipo de uma primeira-dama de elite: é negra, socialista, bissexual, feminista radical e mãe de uma ex-viciada. À Marie Claire Brasil, ela relembra sua incrível trajetória

Na plataforma da estação das linhas B e Q do metrô que serve a área de Park Slope, no Brooklyn nova-iorquino, numa manhã fria do finalzinho de dezembro de 2013, está uma das mulheres mais poderosas da cidade de Nova York. Tudo nela indica a vitalidade de um político que não leva desaforo para casa. No entanto, ilustre passageiro, acredite: essa mesma mulher quase morreu por conta de uma… bronquite. O que a salvou foi a emergência do Hospital Saint Vincent, no Greenwish Village, hoje fechado e em pleno processo de demolição.

Chirlane McCray, a primeira-dama da cidade, esposa do recém-eleito prefeito Bill de Blasio, é cercada por um grupo de duas dúzias de pessoas. A maioria é vizinha dela na região, mas há também assessores, jornalistas e seguranças. Esse tipo de encontro é atividade corriqueira para aquela mulher negra, de 1,57 metros de altura, 59 anos, com cabelos em fileiras de trancinhas – cornrows, como são chamadas nos Estados Unidos – e habitante do bairro de onde mudará em breve. Os arremedos de entrevistas coletivas vêm se realizando há algum tempo, mas é McCray quem mais faz perguntas. Quer saber como estão se virando seus concidadãos, inclusive este jornalista de Marie Claire.

“O importante é que Nova York volte a ser a cidade das oportunidades. Mas para todos. Na última década, a cidade só as oferece para milionários.O resto da população vê diminuídas suas chances de vencer. Veja o caso dos hospitais… Em 2010, fecharam o Saint Vincent, onde minha vida foi salva. No local, vão construir condomínios de luxo. E a maioria da população fica sem atendimento médico. Nova York não pode ser apenas a metrópole do 1% de superricos”, diz McCray.

Foi com mensagens como essa, de oportunidade para todos, que Bill de Blasio ganhou a última eleição para a prefeitura da cidade. Obteve votação recorde para um candidato que nunca ocupara o cargo. E a cartilha ideológica esquerdista do novo ocupante de City Hall passou pela pena afiada de sua mulher e principal assessora, Chirlane McCray. A vitória é de arregalar os olhos: trata-se de um pequeno milagre. Para começar, foi obtida no centro mundial do capitalismo por uma candidatura de plataforma “progressista”, que soa aos ouvidos de Wall Street e da aristocracia local como puro socialismo. Aumento de impostos para quem tem renda superior a US$ 300 mil anuais? É ideia para fazer o chamado 1% da população, aqueles que mandam em Gothan City, sair fazendo barricadas.

E para completar, há também a biografia do candidato Bill de Blasio e, principalmente, sua esposa. Dito num fôlego só, o perfil dela fica assim: é uma homossexual, que teve múltiplos relacionamentos com mulheres e escreveu em 1979 um ensaio de sete páginas intitulado “Eu sou Lésbica” na revista Essence – a principal publicação dirigida ao público negro (comunidade essa que, nos Estados Unidos, é tradicionalmente oposta à homossexualidade). E mais: feminista radical, ela é vinculada – como o marido – a grupos de apoio às causas socialistas. O casal passou a lua de mel em Cuba, num flagrante desafio ao embargo imposto ao regime castrista pelo governo americano. E já em 1991, quando conheceu o futuro marido, Chirlane, pasmem, usava uma argola no nariz – à la figura de cartum racista de nativos africanos. Pode?

ÓDIO E INJUSTIÇA

A realidade, porém, sempre foi feita de muitas nuances. Nada é preto e branco: existem mais de 50 tons nessa história. A família original de Chirlane tem raízes na ilha de Barbados, no Caribe. Mas, por uma dessas torturas do destino, se estabeleceu em Longmeadow, no Estado de Massachusetts. O município é uma espécie de periferia da cidade de Springfield, no nordeste do país, supostamente bastião do liberalismo, mas onde bate, sim, o coração das trevas do racismo. Uma das primeiras providências tomadas pelos vizinhos dos McCray foi fazer uma petição para expulsar a família negra que vinha “escurecer” o pedaço. O fracasso da iniciativa não deteve os impulsos supremacistas caucasianos, que picharam repetidas vezes com grafites racistas a casa dos únicos afroamericanos do pitoresco vilarejo.

“Chirlane foi submetida ao mais brutal bulling na escola. Só que na época não chamávamos aquilo de bulling”, diz Michael McCarthy, seu ex-professor de espanhol. “Eu era seu único amigo em toda a escola”, garante.

“O mais chocante é que os adultos não faziam nada. Não coibiam esse comportamento”, afirma Chirlane. “Era horrível. Saber que os alunos podiam fazer tudo aquilo impunimente. Era comportamento aceitável. Eu nunca tive a sensação de pertencer a uma comunidade. Sempre fui marginalizada”, diz.

Longmeadow, porém, ficou para trás, deixada em sua mesquinha posição. Chirlane foi aceita na faculdade Wesllesley – prestigiada instituição de ensino só para mulheres. Lá, o patinho feio transformou-se em cisne radical feminista. Já no primeiro dia, no tour pelas instalações, Chirlane conheceu uma moça – que ela chamou de Sharon em seu texto para a revista Essence – e que se transformaria no primeiro amor de sua vida. “Ela me fez rir, quando aproximou-se inesperadamente de meu ouvido e disse: ‘Não seria bom se a gente tivesse agora um baseado?’”, escreveu. Quatro meses depois, elas estavam se abraçando e jurando amor.

Do amor à ação: com as questões de sua sexualidade e aceitação social abrindo novos horizontes, Chirlane reuniu-se com feministas negras e ajudou a fundar um dos grupos antológicos do movimento, entre 1974 e 1980. Elas apregoavam que movimento feminista em geral não atentava para os problemas específicos das mulheres negras e batizaram o grupo de “Coletivo do Rio Combahee”, em homenagem a uma ação militar do século 19 que liberou 750 escravos e foi a única na história americana planejada e liderada por uma mulher.

Depois de Wesllesley, Chirlane fez o curso de edição da escola Radcliffe. O primeiro instinto era o de fazer política através da poesia. Teve algum sucesso na Lira como musa ideológica. Mas quem aguenta ser poeta faminto? Chirlane foi ganhar o pão escrevendo discursos para o ex-prefeito David Dinkis, o último democrata a ocupar o cargo, há 20 anos.

Era o ano de 1991 e a vida amorosa de Chirlane estava na chamada “dança das cadeiras” típica da época. “O trabalho não deixava muito tempo para romances”, diz sua amiga Debra Hughes. Foi quando lhe encomendaram um discurso para o prefeito de apoio a alguns candidatos a vereador. Recomendaram à ela que fosse falar com um sujeito na Comissão de Direitos Humanos da casa e que era muito esperto. Ela o procurou e deu de cara com um homenzarão de 1,96m, que foi solícito, mas não causou outras im pressões. O grandalhão era Bill de Blasio. Nos dias seguintes, ele passou a frequentar o escritório onde Chirlane estava ancorada e suas intenções ficaram claras, com o flerte descarado.

Em duas semanas, o paquera lançou o bote: convidou-a para almoçar. “Imaginei que seria apenas um almoço, uma única ocasião”, diz Chirlane. “Eu saí do armário aos 17 anos. Nunca havia tido um envolvimento com homens. Pensei: Epa! O que é isso? Será que agora também sinto atração por homens? E eu estava atraída pelo Bill. Senti que ele era a pessoa perfeita para mim. Tentei ir devagar, pedi um tempo”.

FAMÍLIA NO BROOKLYN

Eles estão dando um tempo há 22 anos. Casaram-se em 1994, no Prospect Park, no Brooklyn, em cerimônia ecumênica. Algumas amigas lésbicas não quiseram comparecer e não a perdoaram. Pouco importa: uma semana depois, eles estavam fazendo amor em Havana.

Da união resultou um casal de filhos: Chiara, de 19 anos, e Dante, 16. A mais velha revelou recentemente que foi viciada em drogas e álcool, usados como automedicação contra depressão. Mas que, agora, já está em plena recuperação na sobriedade. Quanto a Dante, com seu cabelo afro, mais parece um militante dos Panteras Negras dos anos 70. No entanto, é o darling do eleitorado e apontado como um dos principais garotos-propaganda da campanha do pai contra a política do “Stop and Frisk” implantada pelo prefeito anterior, Mike Bloomberg. Com ela, policiais passaram a abordar e revistar qualquer pedestre de Nova York sem maiores explicações. Na prática, os enquadrados eram, em sua imensa maioria, jovens latinos e negros. Dante é o biótipo perfeito nessa violação de direitos.

Na estação de metrô de City Hall, em Manhattan, onde Chirlane salta, alguém pergunta: “Ei! Onde está o Dante? Ele é hot!”. A primeira-dama da cidade sorri, diz que concorda. Mas logo depois fala entre dentes para os que a acompanham: “Eu aqui querendo falar sobre novas oportunidades para a classe média, e as pessoas vêm me perguntar sobre o Dante e dizer que ele é lindo! A campanha acabou, mas acho que tem gente que não percebeu. O negócio agora é trabalhar. Vai ser uma pedreira!”, diz, antes de cair numa gargalhada aberta de quem sabe que empalma o poder.


Fonte: Portal Áfricas

Fonte: http://www.ceert.org.br/