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quinta-feira, 31 de maio de 2012

 



Meninas do tráfico: "Ninguém entra e sai igual"

Depois de cinco dias ao lado das 30 jovens reclusas na Fase, a reportagem do Diário Gaúcho montou uma série especial para mostrar a transformação destas mulheres
Meninas do tráfico: "Ninguém entra e sai igual" Andréa Graiz/Agencia RBS

 

 

Ela clamou pelo retorno
- No Casef, ninguém entra e sai igual.
A garantia é da diretora, Luciana Carvalho. Pode não mudar totalmente, mas internamente muda, diz ela. A história a seguir é uma prova.
A menina, cujo delito foi assalto, passou 72 dias interna e não resistiu ao primeiro final de semana de liberação para visitar a família. A fissura pela droga era tanta que nem o carinho da mãe, o conforto do lar e a saudade do namorado a seguraram.
L., 16 anos, foi para a boca de fumo. Só saiu de lá dois meses depois, ao despertar de um pesadelo:
- Sonhei que estava perdendo todo mundo que gostava de mim, todos os meus planos. Decidi que queria voltar - conta a morena, hoje vaidosa, cabelo escovado, unhas feitas, roupa nova.
– Na boca, trocava o corpo pela droga
A primeira ligação foi para a mãe, que a colocou num ônibus da Grande Porto Alegre e as duas seguiram até a unidade. A decisão estava tomada e a garota batia no portão, em frente a guardas e monitores incrédulos:
- Não cometi delito novo, mas eu tenho um para pagar! Eu vim me entregar, por favor me aceitem!
Mas não era tão simples. Foragida da Justiça, L. tinha uma burocracia a cumprir até conseguir voltar para o Casef. Então, ela decidiu acelerar o processo. Discou 190.
- Polícia, polícia, venha me prender, por favor. Eu sou perigosa - denunciava para a Brigada Militar.
Hoje, reconhece: o cuidado que tem dentro da unidade nunca teve na rua. Os dois primeiros meses de internação foram cruciais para a reflexão.
- Quando eu estava lá na boca, precisava me prostituir para conseguir a droga. Lembrava das doenças transmissíveis e pedia pela camisinha. Essa foi uma lição que eu tinha aprendido aqui dentro - confessa a garota.
Teve medo dela mesma
O cabelo trançado, os olhos esverdeados e a cara de boneca em nada refletem a assassina fria e calculista descrita na delegacia. L., 16 anos, assume um homicídio, mas se defende: é vítima das circunstâncias.
Não conheceu o pai, cresceu com a mãe lhe xingando. O primeiro que lhe ofereceu carinho, ela aceitou. Segundo o delegado, o cara era um grande traficante da Região Metropolitana. Ela jura que não. A polícia prova que sim.
- Fiquei com medo de mim mesma quando pensei no que eu fiz. Fui um monstro - reflete.
Para a coordenadora Patrícia Dornelles, L. é um exemplo do trabalho de transformação que começa no Casef:
- O cara ser traficante, qual é o problema? É a profissão dele. Assim elas pensam quando chegam. Temos de educar e reinserí-las na sociedade.
Pensando nela
Não são raras as meninas que carregam vidas consigo. Grávidas, levam a gestação junto com a medida privativa de liberdade. Hoje são duas no Casef. Uma engravidou no presídio, em uma visita íntima ao companheiro. A outra, B., 18 anos, chegou à casa com seis meses de gravidez e exame feito.
Usuária de drogas, foi apreendida por tráfico na Região Metropolitana. Está com oito meses de gestação e até o sexto, o crack a acompanhou. Flagrada num carro com traficantes e drogas, foi parar no Casef, onde fez exames necessários para a saúde do bebê.
- Para onde fui, sempre fui por causa da droga. Não pensava na minha filha. Agora, penso nela.
... A DOIS PASSOS DO PARAÍSO

É terça-feira, 22 de maio, 17h55min, e a música ecoa pelo corredor:
- Estou a dois passos do paraíso...
A menina que canta o hit da banda Blitz tem menos de 20 anos e sabe muito sobre a vida. E a falta de liberdade. Não está ali por acaso. Está pagando pelo delito que cometeu. Mas sabe que tem nas mãos a chance de mudar de vida.
Ela é uma das 30 internas do Centro de Atendimento Socioeducativo (Casef), a única casa feminina da Fase/RS.
Como uma casa de bonecas cravada no coração da Vila Cruzeiro, na Capital, a sede feminina é considerada um exemplo nacional. Uma equipe de 59 servidores - agentes socioeducadores, assistentes sociais, psicólogos, psiquiatras e terapeutas - se reveza para atender as menores infratoras.
Por trás de um portão de ferro azul, na Avenida Jacuí, vigiado por seguranças e até brigadianos, está a casa. O orgulho de todos é o cadeado da porta principal: isso porque é a única tranca que separa a instituição do pátio.
- Carinho há. Mas as regras são rígidas
Os tons alaranjados e lilás, os quadros da parede, as flores nos corredores em nada se assemelham ao imaginário das gurias a caminho de uma unidade de internação. O carinho dos funcionários, muito menos.
Mas as regras... ah, as regras são rígidas.
Resgatar a autoestima. E as que fogem...
Às 6h, as internas devem estar de pé. Em uma hora, tomam banho e café da manhã. Afinal, há atividades até as 22h. A passagem dos plantonistas ocorre às 7h. Às 8h começam as aulas - as do fechado estudam na Escola Tom Jobim, anexa à casa, com professores do Estado. As demais, têm escolas fora.
O destaque nacional orgulha a juíza da 3ª Vara do Juizado da Infância de Porto Alegre, Vera Lúcia Deboni:
- É a conquista das equipes, dos vínculos que se estabelecem com as internas. O resultado mostra que é possível ressocializar.
Vera destaca as oficinas e os cursos profissionalizantes.
- Muitas entram com uma autoestima muito ruim. E o Casef faz esse resgate da guria querer estar bem, bonita.
Ainda assim, há fugas. Dias atrás, uma desgarrou-se durante a atividade externa. É considerada foragida.
- Semiliberdade é a medida baseada na confiança - conta a diretora, Luciana Carvalho.
NA VOLTA DA LIXEIRA, ELAS VOAM
O trabalho com as meninas é intenso. Carentes, precisam desabafar, buscam carinho. É "tia" para lá, "tia" para cá, "tia" o dia inteiro. As regras são rigorosas: qualquer deslize resulta em uma norma anotada em um caderninho. Três normas provocam recolhimento ao quarto, sem escapatória.
Assim a confiança começa a ser talhada. E a liberdade, aos poucos, alcançada. Em sete dias, se o comportamento for reconhecido como adequado, a adolescente recebe um kit de risco - inclui, garfo e faca de inox, prato e copo de vidro, além de gilete para depilação e agulha para o bordado. O uso é restrito para áeras comuns. Antes disso, as refeições são feitas no quarto com talheres e pratos de plástico.
- Incentivo vem no grito da diretora
O ápice desse primeiro momento é algo que ninguém faz com prazer: levar sacos de lixo até a lixeira. No Casef, é preciso uma escala para levar o lixo. E a vaga é disputada. Tudo para pegar um ar ou paquerar os meninos da frente...
São 100m que separam a lixeira da porta principal. Mesmo dentro do pátio, é uma conquista. Ganhar o "perímetro" é motivo de vibração, e mais: dá asas. Quando a menina descarta o lixo e abre os braços, a diretora grita:
- Voa, guria!
É o primeiro voo para a liberdade.
- É como se a gente estivesse na rua de novo - relata uma menina de 20 anos, que responde por homicídio.
Uma década de mudança
- A Fundação de Atendimento Socioeducativo (Fase) foi criada em 2002. Pôs fim à antiga Febem, rompendo com a sina de correção e repressão. Mais que um novo nome, foi desenvolvido outro modo de trabalhar com os adolescentes infratores: tudo baseado no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
- A Fase é a instituição responsável pela execução de medidas socioeducativas de internação e semiliberdade, aplicadas judicialmente aos que cometem ato infracional. Há 12 unidades masculinas de internação no Estado e só uma feminina, em Porto Alegre: o Casef. Na contagem de abril, eram 896 guris e 30 gurias.
- Estrutura do casef - 33 lugares

Quando uma menina chega, fica no Grupo 1 (G1), o lado rosa (internação provisória), até a Justiça definir a medida. O prazo máximo é 45 dias. Depois disso, há três opções: 1º) O Grupo 2 (G2): é o sistema Fechado, chamado Internação Sem Possibilidade de Atividade Externa (ISPAE). As meninas fazem atividades só dentro da casa. 2º) Internação Com Possibilidade de Atividade Externa (ICPAE): meninas podem fazer atividades fora da casa, como estágios, cursos e exercícios esportivos. 3º) Semiliberdade: estudam e trabalham na comunidade. Dependendo de avaliação, estas e as do ICPAE podem passar o final de semana na casa de familiares.

ONTEM Meninas do tráfico
HOJE A rotina da casa
AMANHÃ Três destinos possíveis

Fonte:
DIÁRIO GAÚCHO

 

 


 

quinta-feira, 24 de maio de 2012


Filme Histórias Cruzadas (The Help)






Brilhante filme, brilhante atuação das atrizes Viola Davis (Aibileen Clark), Emma Stone (Skeeter), Octavia Spencer (Minny), Jessica Chastain (Celia Foote), Bryce Dallas Howard (Hilly Holbrook), além de não desmerecer a atuação de outros atores/atrizes. Baseado em fatos reais, apresenta comédia e drama, em cima de uma discriminação doentia e que ainda continua contaminando, em todo o mundo, porém sofrendo mutações em sua forma de se manifestar. Algumas cenas são engraçadas porque as empregadas tiram sarro de suas “patroas” ou, devido ao comportamento e pensamentos absurdos com relação aos negros, naquela época, isto é, há menos de 50 anos nos Estados Unidos. Em outros momentos do filme, o drama se apresenta também, na dor de uma mãe não ter o direito de poder levar seu filho em um hospital preparado para atendimentos de urgência, pois havia separação para atendimentos de negros e brancos, e tendo esta mãe, de resolver levar para casa, seu filho único, e assistir sua morte.

Por quanto já passamos e por quanto vamos ter de passar mais?

Porém, conforme trecho desta história, não citado exatamente nestas palavras, mas com este objetivo, “... falar e agir com a verdade, nos faz livre sempre...”.

Por

Isis

terça-feira, 22 de maio de 2012


Unidos pelo sangue e pela farda



Ao ler a reportagem da Revista Aerovisão com o título que copiei acima, achei maravilhosa e mais um exemplo de vida em família para ser divulgado e servir de inspiração para muita gente. Além do irmão mais velho, dentro de uma família de sete filhos, quatro irmãos também seguiram a carreira militar na Força Aérea Brasileira, as decisões foram baseadas em determinação e estudo. Leia!

Por
Isis


 

 " Preciso de um palco. Sem ele não sou nada”. A frase do pianista e compositor francês de óperas Georges Bizet, autor de clássicos como Carmen e Ivan IV, sintetiza a vida de quem trabalha com música. Todo músico vive uma simbiose com o curto momento em que as luzes se acendem, a orquestra começa, a plateia se emociona e, no final, os aplausos são a sequência do fechar das cortinas. Assim, o Segundo Sargento Músico Paulo César Ramos Rezende, 32 anos, lembra que foi em um palco um dos momentos mais importantes de sua carreira como especialista de Aeronáutica. Em 2000, Rezende regeu a Banda da Base Aérea do Recife em um arranjo composto por ele, uma coletânea de choros. Quando liderou pela primeira vez uma banda de música da Força Aérea Brasileira só tinha um ano e meio de formado. “Foi um momento muito marcante para mim. As bandas da FAB são regidas por um oficial ou pelo graduado mais antigo e eu tinha um ano e meio de formado. Tenho muito orgulho em vestir o azul da Força Aérea. A música e a FAB transformaram a minha vida”, afirma Rezende. O clarinetista, saxofonista, arranjador e fotógrafo do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica tem uma trajetória na música que passa pela escolha da Escola de Especialistas da Aeronáutica (EEAR), e o seu exemplo levou quatro de seus seis irmãos a seguirem a mesma profissão. Três deles são sargentos especialistas. O primeiro foi Jonas Luiz, 29 anos, seguido de Marta, 23 anos. Nathália, a mais nova, 22 anos, formou-se ano passado. Thiago, 26 anos, o quinto irmão da família Rezende que veste azul, escolheu ser taifeiro. 
História - A infância dos irmãos em Piabetá, distrito de Magé, na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro, era marcada pelas brincadeiras na rua, pelas aulas de música na igreja e pelas visitas à casa da tia para ver televisão. O pai de Rezende trabalhava como fiscal em uma empresa de ônibus e a mãe costurava para fora. O salário dos dois era reservado para as contas da casa e para a educação dos sete filhos. “Quando eu e meus irmãos éramos crianças, não tínhamos televisão em casa. Então, meu pai nos levava para a casa da minha tia. Uma das coisas que eu mais gostava era assistir as bandas de música dos desfiles de sete de setembro pela TV. Daí surgiu a minha vontade de ser militar. Então, com oito anos, fui estudar música com este objetivo”, conta o sargento Paulo Rezende. Aos 17 anos, Rezende dava aulas particulares de teoria musical quando passou no concurso da Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR), estudando em casa. A formatura na 208ª turma da escola foi em novembro de 1998. O aluno Rezende estudava arranjo nas horas de folga na escola, o que se tornou um hábito depois de formado. O que começou como hobbie virou mais uma atividade. Todas as bandas da Força Aérea Brasileira já tocaram um arranjo dele. “Trabalho para gravações e apresentações de shows ao vivo com cantores e orquestras”, explica o sargento músico. Além das bandas da FAB, orquestras no Brasil e no exterior, como a Caracas Jazz Big Band, já tocaram músicas com arranjos compostos por Rezende. São choros, bossa nova, tropicálias, frevos, versões de canções de musicais e coletâneas de artistas como Elton John e de bandas como Queen, em arranjos com toques particulares do músico da FAB tocados mundo afora. 
Irmãos - O músico e compositor austríaco Franz Schubert disse uma vez que boas composições surgem quando os autores se inspiram em algo bom. Schubert se referia à criação de novas melodias, mas a afirmação pode ser aplicada a outros exemplos quando eles têm a música como inspiração. O Segundo Sargento Jonas Rezende seguiu o mesmo caminho do irmão mais velho e optou por ser sargento da Aeronáutica. Além da formação de músico em trombone, fez o curso técnico em contabilidade e escolheu a carreira de Serviços Administrativos na Escola de Especialistas. Atualmente, o Sargento Jonas Rezende trabalha no Grupamento de Apoio do Rio de Janeiro (GAP-RJ). “Eu decidi ser sargento da FAB naformatura do meu irmão. Logo em seguida,
eu comecei a estudar trombone para fazer o concurso para músico. Mas, como iniciei tarde na Música, com quinze anos, sabia que a concorrência seria bem difícil. Então, optei por Serviços Administrativos, porque tinha o curso técnico em contabilidade”, lembra Jonas Rezende. As meninas seguiram o caminho de Jonas e optaram por cursar o técnico antes de entrar para a escola. Marta fez o curso técnico em administração, formou-se especialista em Serviços Administrativos e trabalha na Seção de Controle Interno da Prefeitura de Aeronáutica de Brasília (PABR), no Distrito Federal. Nathália escolheu o técnico em Enfermagem e atua no Centro de Instrução e Adaptação da Aeronáutica (CIAAR), em Minas Gerais, no Esquadrão de Saúde Reforçado que atende à Guarnição de Aeronáutica no Estado. “Eu quis estudar na Escola de Especialistasdesde os dez anos, quando vi a formatura do meu irmão mais velho [Segundo Sargento Paulo Rezende]. A partir deste momento, passou a ser meu sonho também ser sargento. Foi a melhor decisão que já tomei na vida e com certeza faria tudo de novo”, conta Marta. A recém-formada Nathália lembra do incentivo dos pais e dos irmãos na época do concurso e na superação das dificuldades durante o curso, como as avaliações, a rotina militar e a saudade nas semanas longe de casa. “As lembranças que eu guardo da Escola de Especialistas são as melhores possíveis. Os galpões de especialidade têm uma estrutura muito boa, o ensino é de ótima qualidade e os instrutores bem preparados. Fazemos amizades para a vida inteira, conhecemos pessoas de vários lugares do Brasil. As amizades são um dos fatores importantes para superarmos as difi culdades que passamos quando aprendemos a rotina militar”, explica Nathália. Desde a escolha do Sargento Paulo Rezende, a vida mudou e vai continuar mudando para a sua família. Quando perguntado sobre o futuro na carreira, o compositor e maestro russo Igor Stravinsky respondeu que não vivia nem o passado nem o futuro, e que só podia se ater ao presente, porque o hoje era a única certeza que ele tinha. No caso dos irmãos da família Rezende, esta certeza do presente de vitórias vai guiá-los a um futuro promissor na carreira que escolheram, de especialistas da FAB. Seja na música, na administração ou na enfermagem."

Fonte Revista AERO Visão - A revista da Força Aérea Brasileira
Reportagem de Carla Dieppe/Talita Vieira Lopes



quinta-feira, 17 de maio de 2012


II Encontro Afro-latino em Cordel 

Postado em 28 de maio de 2010 por FCP/MinC 

 


 Por Zezão Castro
Inspiração velha amiga
Me conheces de menino
Evoco a sua presença
Neste narrar pequenino
Direi o que vi e ouvi
E também o que senti
Neste encontro Afro Latino

Aconteceu na Bahia
Em sua segunda edição
Grupos de trabalho, mesas
Consensos e discussão
Ministros, representantes
Várias mesas importantes
Muita afro-opinião
Juca Ferreira e Zulu
Vieram lá de Brasília
Pra legitimar os pleitos
E não para botar pilha
De forma institucional
Também internacional
Foi tudo uma maravilha
Colombia , Equador e Cuba
Venezuela, Uruguai
Barbados e Nicarágua
Jamaica, woman no cry
Panamá e depois México
O espanhol foi léxico
E no próximo quem vai?
Veio a Unesco mediar
A AECID e SEGIB
Compondo vários GTs
Auxiliando quem decide
Alguns ficaram até roucos
Pena que vieram poucos
Países lá do Caribe
A diáspora africana
Alcançou o mundo inteiro
Os corpos acorrentados
Nos podres navios negreiros
Religião, som e alma
Nessa hora muita calma
Da agonia passageiros
Ao fim deste encontro
Que já tem papel histórico
Juca, o ministro, disse,
Que “saímos do retórico”
Não precisa dar descontos
Foram 19 pontos
Adeus plano teórico!
Solidariedade plena
Por meio institucional
O Brasil já dá o exemplo
Em solo internacional
Pra espalhar isso nos ares
A Fundação Palmares
Assumiu o know how
A Agenda Afro Descendente
Vai ter sua secretaria
Todas Américas juntas
Trabalhando em harmonia
Políticas públicas são
O cerne desta questão
Decidiu-se na Bahia
Há o Observatório
Afro Latino na veia
Com as redes sociais
Formando uma grande teia
Publicação de artigos
Notícias de seus amigos
É melhor que voce leia
Desenvolvimento artístico
Intercâmbio cultural
De matriz bem africana
Angola, Guiné, Senegal
Candomblé ou santeria
Seja de noite ou de dia
Proteção universal
Também o audiovisual
E sua circulação
Pulverizando as fronteiras
Entre a arte e o cidadão
Filmar sofrimento e glória
É o caldo da memória
Pra que fique uma lição
Publicações editadas
Trazendo um relato novo
Digital ou papel
Chegando nas mãos do povo
Refaz-se o processo histórico
Do processo diaspórico
Que foi pro negro um estorvo
Computador hoje em dia
Faz-se também necessário
Viver sem conexão
É um estado temerário
As línguas afro-latinas
Por que que ninguém ensina ?
Mude-se este abecedário!
As ações afirmativas
Tomando de exemplo as cotas
Respeitar as mães-de-santo
BabaIorixás, makotas
Espantar o desemprego
Criando pra isso emprego
Vão surgindo novas rotas
Afrodescendentes hoje
Querem inserção social
Futuros juízes negros
Fazendo o terceiro grau
Bastaram só oito anos
Foram-se os perversos planos
Do Brasil colonial
Xica Xavier bradou
Convém aqui registrar
“No livro da Rede Globo
O meu nome não está”
Antonio Pompeu também sabe
Que na mídia o negro cabe
Também na sala de estar
Por isso que cabe a todos
Países dos continentes
Fiscalizar todas mídias
Não discrimine as gentes
Por causa apenas da pele
E caso então ela apele
Que a Justiça mostre os dentes!
Apoiar sempre as mulheres
Que são afro-descendentes
Elevando a auto-estima
Destas mães, grandes correntes
Elo das comunidades
Nas roças ou nas cidades
Registro nesse repente
O nível das atrações
Foi pra lá de muito bom
O Grupo Bahia Trío
E o grande Papá Roncón
Que continente diverso
Que recorte de universo
Palmas pro Dúo Así Son..
No show de Elza Soares
Riachão foi o tal
Mariene de Castro foi
Levantou mais o astral
Dona Elza, sim, é bamba
Hoje é rainha do samba
E também cantou o Brown
A história sempre escrita
Pelas mãos do vencedor
Com critérios mafiosos
De preconceito de cor
Se toda revolta vale
Que a Justiça não se cale
E ninguém se cale ao amor

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Advogada apadrinha quatro irmãos e muda de vida em Araraquara, SP

Roberto, Rodrigo, Rivaldo e Rogério são tratados como filhos pela família.
Família trocou de carro e de casa para receber garotos.

Manoela Marques Do G1 Araraquara e Região
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Advogada apadrinha quatro garotos de orfanato em Araraquara (Foto: Manoela Marques/G1)Família reunida à mesa para orações e jantar de
quarta-feira à noite (Foto: Manoela Marques/G1)
“Fora da caridade não há salvação” é o ensinamento que a família Violante tirou das orações da última quarta-feira, dia da semana no qual se reúnem à mesa para rezar, conversar e jantar. Mãe, pai, filha – o outro filho estuda em outra cidade - e mais quatro irmãos de 10, 12, 15 e 16 anos, moradores de um orfanato, que foram apadrinhados pelo casal, terminam o ritual semanal antes de atender a reportagem do G1.
A rotina é a mesma desde novembro de 2009, quando a advogada Rosangela Aparecida Evangelista Violante acordou, mais tarde que o marido, o juiz Carlos Alberto Violante, e encontrou na mesa do café um jornal deixado por ele com uma reportagem em destaque. O texto tratava de um projeto da Vara da Infância e Juventude de Araraquara chamado “Amigo é para essas coisas”, em que mostrava casais que apadrinharam adolescentes ou crianças de orfanatos, dando-lhes algum tipo de ajuda como escola, bens materiais ou simplesmente carinho.
Rosangela não pensou muito e marcou uma entrevista. Estava decidida e “queria um molecão”. A assistente social, ao analisar o perfil do casal e mesmo sabendo que procuravam apenas um menino, não hesitou em indicar dois garotos que viviam no Orfanato Renascer: Roberto e Rodrigo. “Quem apadrinha um, apadrinha dois”, relembra a advogada, que marcou logo um passeio para toda a família.
Durante o encontro, em um evento musical do Sesc Araraquara, Roberto, o mais velho, fez um pedido que mudaria para sempre a vida de oito pessoas: “tia, posso trazer meus dois irmãos mais novos no próximo passeio?”
“Tratei logo de agendar um domingo em Bueno de Andrada (distrito famoso na região pelas coxinhas) para comer coxinha com esses quatro e não desgrudamos nunca mais”, conta a madrinha. Nascia então uma história de amor e doação entre Rosangela e os quatro R's. Roberto, Rodrigo, Rivaldo e Rogério ganharam uma nova família às quartas-feiras, aos finais de semana, em todos os feriados e viagens de férias que viriam a seguir.
Vida em família
O primeiro passo dos Violante para começar a receber os quatro garotos em casa foi trocar o carro para um veículo maior. Em seguida, mudaram-se para um condomínio onde a residência tem mais quartos. “Fizemos tudo pensando em dar o maior conforto possível quando eles vêm nos visitar e também durante nossas viagens”, explica Rosangela.
Mesmo morando no orfanato, os garotos têm seus espaços na residência da família, além de escola particular, cursos e incentivo à prática de esportes. “Estamos aqui para tudo que eles precisarem”, explica a madrinha.
Advogada apadrinha quatro garotos de orfanato em Araraquara (Foto: Manoela Marques/G1)Rosangela com a filha e os garotos, que considera
como da família (Foto: Manoela Marques/G1)
Constantemente, o casal viaja para Valinhos, a terra natal, onde possuem um sítio com lago, e também onde moram as mães e todos os irmãos. “Antes de morar em Araraquara nossa vida era lá. Por isso, voltamos em todas as oportunidades” diz Rosangela. A união da família, no entanto, é um mérito dos quatro R's.
Segundo a advogada, tal como em muitas famílias, também havia alguns desentendimentos e relações abaladas. Após a chegada dos garotos, tudo se transformou. “Nosso primeiro Ano Novo com eles foi o melhor de nossas vidas. Hoje posso dizer que temos uma família perfeita. Todo mundo se uniu novamente. É algo impressionante”, emociona-se. A paz, no entanto, só existe quando eles estão por perto. “Não podemos chegar lá sem os meninos. Vira confusão”, brinca a madrinha.
Amor de mãe
Rosangela não consegue responder a uma única pergunta sobre os garotos sem colocar um sorriso nos lábios, exatamente como quando fala dos dois filhos de sangue. Ana Flávia, de 15 anos, e João Leonardo, de 21, dividem espaço no coração da supermãe com os quatro R's sem nenhum problema. “Eles são especiais demais pra mim. Adoro brincar e dividir tudo com todos eles”, afirma Ana, a “princesa da casa”, como é chamada pela mãe.
Essa, por sua vez, se intitula a rainha. “Tenho um monte de guarda-costas e me sinto bem no meio deles. É uma energia incrível.” A energia parece ser recíproca, pois o nome de Rosangela está confirmado para a festa do Dia das Mães na escola dos garotos. “Eles não pensam duas vezes em me convidar. Lá vou eu chorar de monte recebendo as homenagens.”
A madrinha dos garotos explica que o único objetivo da família ao apadrinhar os meninos foi dar a eles um pouco de alegria e felicidade. Ela não esperava que a mudança fosse tão grande. “Posso dizer com toda certeza que eles fizeram muito mais bem a mim do que eu a eles. Os abraços deles não tem como pagar.”
Advogada apadrinha quatro garotos de orfanato em Araraquara (Foto: Manoela Marques/G1)Família reunida no sofá de casa durante encontro de quarta-feira à noite (Foto: Manoela Marques/G1)